Ficha – Mao Siu (Lâmina Mortal)

Postado em Fichas de Personagens, Notícias em 05/12/2009 por leonardoandrade

Mao Siu perdeu seu mestre no primeiro conto deste blog (Encontro Mortal), mas conseguiu terminar seu treinamento graças a intervenção espiritual do Servidor conhecido por Ho Kazaoke. Mao Siu também lutou bravamente ao lados dos heróis na batalha contra o Rei Sombra Daichega Kabin, e já pode ser chamado de Lâmina Azul pela sua bravura.

Conto: Diário da Cúpula (III) / Aventura: Nas Cavernas da Loucura

Postado em Contos, Notícias em 18/11/2009 por leonardoandrade

O culpado de todos os fatos até aquele momento, era um tirês. E vivia em uma fortaleza difícil de ser alcançada. Notei então que muitos ali estavam motivados por razões pessoais, Toshiro Miasumi havia perdido seu Godo negro e agora descobrira quem fora o culpado por isso, Mao Siu Lee perdera seu mestre graças a Kao Ling e Raio Mortal mostrou uma fúria insana quando soube do carrasco de seu mestre. Pensei então que talvez tivesse cometido um erro ao anunciar tão abertamente minhas descobertas, mas depois de convencer todos a seguir as leis vigentes, fiquei mais tranqüilo.

Escondido no meio das árvores, um tirês disse:

- Vejo que estão em um impasse. Aceitam uma sugestão?

Tratava-se de um tirês maior do que o normal, e alguns ali reconheciam. Me apresentaram o lutador ‘Abraço Pardo’, cujo pelo prateado me chamou a atenção. Ele foi apresentado como um herói bem conhecido da Cidade de Pedras, muito querido pelo povo tirês. Ele sugeriu:

- Invadir a fortaleza do Shógum é muito dificil.

Nesse instante tentei ler a mente de todos os que estavam ali. Se alguém tivesse ido até o interior da fortaleza eu de posse das informações de localização poderia tentar um teleporte. Infelizmente nenhum deles conhecia bem o lugar. Isso inviabilizava qualquer tentativa, onde o erro seria punido com a morte. Estava cabisbaixo, mas disse para o lutador:

- Prossiga com seu pensamento.

- Sugiro irmos até o Shógum da Cidade do Vento, o Lâmina de Prata. Ele é o incorruptível, e saberá indicar uma solução para punição de um traidor segundo as leis tiresas.

A solução parecia indicada. O Lâmina de Prata foi um tirês que conseguiu exterminar um dos reis sombra. O atual regente da Cúpula, meu líder, em sinal de gratidão o presentou com uma jóia que afasta espíritos. Como os feitos do Lâmina de Prata foram almadiçoados pelos sombras caídos, a jóia mantém muitos espíritos longe do atual Shógum da Cidade de Pedras.

Com o avanço da idade, ela foi cada vez mais necessária ao Lâmina, contudo ele se tornou prisioneiro de sua morada. Pra minha sorte eu conhecia sua morada,  e pelo rosto de espanto de todos, creio que não gostaram muito do teletransporte. Depois de identificações aos guardas, uma comitiva veio ao nosso encontro e o Shógum apresentou-se a mim respeitosamente. Abraço Pardo também foi cumprimentado com um sorriso do Shógum e fomos então conduzidos a uma sala de jantar onde o desenrolar de todos os acontecimentos ecoaram aos ouvidos do Shógum. Ele então pronunciou:

- A palavra de vocês vale como verdade para mim. Me encontrei poucas vezes com Kao Ling, mas nunca o imaginei como sombra. Ele é um dos últimos tireses que assumiram como Shógum por heritariedade. Sua família governou com bons olhos ao povo por quase dois séculos, e ele pode se valer de antigas leis…

Naquele instante o Lâmina de Prata parou sua fala. Uma expressão de preocupação veio a sua face. Chamou então um tirês que era seu conselheiro e ele conversou algum tempo em voz baixa. Depois disse com alguma tristeza:

- Todos os Shóguns, ou famílias, foram nomeados pelo Imperador. No caso de Lâminas traidores, se provada sua culpa estes são exterminados pelo próprio imperador. Essa a lei atual. No caso de Kao Ling , velhos regimentos são vigentes e ele pode utilizar uma velha lei, na qual o governante que tenha sua culpa comprovada pode desafiar para um duelo um de seus acusadores. Se ele perder ele morre, caso vença ele é preso em uma caverna.

O caçador Toshiro perguntou então ao Shógum:

- Mas as cavernas não foram proibidas pelo Imperador?

- Sim em uma lei de duzentos anos atrás. A lei que favorece a Kao Ling é anterior ao Imperador. Quando Shiang assumiu como Imperador algumas pessoas em várias cidades detinham muito poder, incluindo controle sobre pequenos exércitos. Aqueles que eram tidos como justos com o povo, um acordo foi feito: Durante três gerações, os governantes dessas famílias se manteriam sobre as velhas leis, e a partir de então o poder seria passado a alguém designado pelo Imperador. Kao Ling é o último representante dessa geração de governantes.

Resolvi perguntar então:

- E se eu me declarasse desafiante. O que aconteceria em caso de vitória ou derrota?

O Lâmina Mortal ficou surpreso, e disse:

- Acredito que Kao Ling pereceria.

Depois de um documento ser redigido comprovando a culpa de Kao Ling, fora feita a convocação do mesmo para comparecer à corte do Shógum Lâmina de Prata para julgamento. Até sua chegada ficaríamos hospedados na morada do Shógum, que era um espaço muito belo, bem diferente da velha Cúpula.

Ao contrário do que esperavamos, recebemos mensagens trocadas com pássaros adestrados, que informaram a chegada para o próximo dia de Kao Ling.

Descansamos bastante tempo. Pouco antes da hora do almoço do dia seguinte, fora anunciada a chegada do Shógum da Cidade de Pedras.

Assim que Kao Ling chegou, recebeu das mãos do Lâmina de Prata a carta que comprovava sua culpa, e disse:

- Pelas leis antigas, as quais me encontro em julgo, convoco a um duelo um de meus acusadores.

Com bastante calma, saí da penumbra que me encontrava e me apresentei:

- Eu Hoack Khush, vice-líder da Cúpula aceito seu desafio.

Kao Ling parecia surpreso. Em seguida retrucou gritando:

- Eu convoco aqui, diante desse tribunal aquele que instituiu minha família para me representar. Pelas antigas leis, posso eleger um representante.

O Shógum Lâmina de Prata consultou um conselheiro, que com surpresa diante da frase de Kao Ling, disse assustado:

- Senhor, ele pode fazer isso segundo as antigas leis!

Os heróis me olharam, e apesar de ficaram surpresos com o teleporte, viam como pouco provável a minha vitória. Eu tinha um ás na manga, só lamentava pelo imperador que era inocente. Seria um dia de terror para muitas pessoas no duelo, e quem sabe talvez até para mim.

Arquétipos de Personagens Tireses Finalizados

Postado em Notícias em 16/11/2009 por leonardoandrade

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Altair Messias finalizou todos os personagens tireses com nanquim e muita maestria. Em breve estaremos publicando um pdf com todos os arquétipos desses personagens em branco e preto (a versão colorida dos personagens estará presente apenas no livro finalizado).

Estamos de volta com novos posts. =]

Conto: Diário da Cúpula (II) / Aventura: Nas Cavernas da Loucura

Postado em Contos, Notícias em 27/09/2009 por leonardoandrade

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Antes de viajar para o plano terrestre resolvi dar uma passada nos planos inferiores, para verificar os danos causados por tudo isso e avaliar o estrago. Vi muitos velhos inimigos que tentavam me atacar, sem sucesso graças a um velho invento no qual trabalhei minha vida toda para aperfeiçoar. Os olhares de frustração destes alegraram-me um pouco diante de tão trágica situação, mas tudo isso se apagou repentinamente e quando dei por mim, estava eu no quarto círculo inferior, cercado por uma horda de espíritos tireses caídos e diante de mim um dos velhos Rei-Sombra. No momento que eu preparava o desfecho de minha existência em último esforço, este se manifestou em missão de paz.

Fora este que me relatou exatamente o que ocorrera, um dos Sombras fora invocado pelos Lantros, com uma magia desconhecida para nós. Somado a isso, estes criaram uma aberração com espíritos do plano terrestre, algo que somente os Lantros conseguiram fazer no passado, antes mesmo de começarmos as vigílias pelos planos. Esta aberração provavelmente fora invocada para servir de corpo para o Sombra permanecer no Plano Terrestre.

Ao que parece, algo dera errado nesses planos malignos, fora-me relatado que um grupo de heróis surgiu quando tudo estava ocorrendo e impediu que as duas Aberrações que surgiram caminhassem pelo Plano Terrestre. Decidi que era necessária uma intervenção mais direta da Cúpula nesse caso e resolvi descer pessoalmente para investigar, fato que não só assustou como também surpreendeu o mensageiro. Mas sabia que as forças em questão eram bem maiores do que um grupo de heróis, por melhores que fossem. Era hora de voltar as origens e procurar esses heróis.

* *

Senti-me um ser que não pertencia mais ao plano terrestre, tudo era tão diferente do que eu conhecia, poucas belezas que existiam ainda permanecem e talvez o sonho de convivência pacífica entre símios e tireses esteja mais distante do que nunca. Olhares desconfiados e temerosos a meu respeito denunciam o preconceito e talvez até mesmo o ódio armazenado por anos. E pensar que tudo isso tivesse ruído em menos de 50 anos aos quais me afastei quase brota uma lágrima em meus olhos.

Segundo o relato do vigilante que presenciou todo esse grotesco evento, depois do surgimento da entidade demoníaca notou-se o encaminhamento do Sombra para a Aberração recém criada, sendo esse plano quebrado pela intervenção de um grupo de heróis que destruiu a criatura. São essas as pessoas que eu preciso encontrar.

Iniciei minha caminhada até uma fazenda em Montes Verdes, aparente ponto de início de tudo isso, e durante essa longa caminhada notei o quão grande estão as cidades tiresas, isso poderia ser um problema no futuro. No trajeto, vi vários filhotes tireses que mostravam um total desconhecimento de minha raça, mas fiquei feliz com isso, pois nos jovens só existia a curiosidade e não o temor. Faziam várias perguntas a meu respeito, mas me era difícil responder, meu conhecimento da língua tiresa além de ultrapassado estava enferrujado. Se eu tivesse uma boa fruta da floresta, lhes daria de presente, mas na ausência apenas sorri para os pequenos tireses na esperança de que quando crescessem, tragam mais sabedoria a esse pobre mundo.

As jóias que carregava comigo iluminavam a escuridão do caminho até a velha fazenda, o céu negro refletia a crise que esse plano estava vivendo. Após encontrar o local, parei encostado em uma árvore, minhas velhas costas doíam depois de tanto caminhar. Foi quando eu notei movimentação na fazenda e logo em seguida a saída de um tirês da casa, bebendo algo. Batia com a descrição de um dos heróis e rapidamente ele notou minha presença pelo brilho das jóias. Permaneci atrás da árvore até saber se era quem eu realmente imaginava. Surgiu então outro do grupo e logo em seguida todo o grupo e então saí de trás da árvore e me revelei para o espanto de todos.

Depois de uma breve apresentação, entramos então no assunto que inquietava a todos, o que estava ocorrendo. Revelei somente o pertinente e nada que pudesse apavorar o grupo e então um relato me inquietou, a notícia do rompimento de um dos bolsões de espíritos pelo lado de dentro, algo que eu precisava investigar em seguida. Foi logo em seguida que Raio Mortal, o primeiro com quem tive contato mostrou-me um velho manuscrito que estava presente nas paredes de uma prisão. Uma listagem de nomes dos espíritos que lá estavam aprisionados e o invocador destes, um tal de Kao Ling, nenhum dos nomes representava nada para mim, mas vi que todos ficaram chocados quando relatei e então me contaram que era o Shogun da Cidade de Pedras.

Conto: Diário da Cúpula (I) / Aventura: Nas Cavernas da Loucura

Postado em Contos, Notícias em 23/09/2009 por leonardoandrade

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Diário da Cúpula, 1, 902.

Não compreendo qual foi minha necessidade depois de tantos anos de vida escrever um diário, mas sinto que isto é o princípio de minha partida desse plano terrestre. Assim como não faço idéia de quem irá ler esses relatos aqui contidos, vou então me apresentar: Eu sou Hoack Khush, segundo em comando na ordem da Cúpula, uma entidade que tenta manter regulado os diversos planos de existência, não importando os custos.
Aos meus 90 anos de existência, sinto um certo ressentimento em pensar que minha partida é iminente e será em breve. Não me lamento por minha vida em si, pois sei que ela nada representa diante do grande tecido da realidade, mas sim pelo conhecimento que tenho agora adquirido, de uma utilidade para a ordem sem precedentes. Talvez todo esse conhecimento mantenha-me vivo e com tanto vigor, contrastando com meus pêlos grisalhos que possuo há algum tempo. Possivelmente, se tivesse todo esse arsenal 50 anos atrás, já não temeríamos mais os Reis Sombras, pois iria caçá-los em qualquer plano que fosse, mas hoje já não posso mais.
Quem está lendo essas linhas não poderá nunca captar a paixão juvenil que invade o meu ser ao pensar que poderia destruir todas as ameaças e livrar o plano terrestre do temor de demônios e das Aberrações, minha única testemunha de tal sentimento é a vela que tremula diante dos meus olhos, apoiada em um suporte na minha mesa. Quantos anos que eu não saio desta velha torre? Talvez tanto quanto esse velho candelabro.
Mas hoje pela manhã surgiu uma notícia aterradora e ao mesmo tempo excitante, um dos vigilantes da ordem detectou um túnel interplanar, um evento que ocorreu por poucos segundos, mas bem determinado, pois nesse pequeno intervalo de tempo, um dos poderosos Rei-Sombra migrou para o plano terrestre e a estabilidade entre os planos pode se alterar drasticamente. São necessárias algumas respostas imediatas: Quem criou tal magia, a qual eu realizo com esforço hercúleo, quando necessário? Com qual intenção?  Como o Rei-Sombra sabia de tal evento? Quem são os culpados?
Designei a melhor equipe para averiguar o local da incidência e as conseqüências de tudo isso, mas considero que é necessário um conhecimento maior para lidar com tudo isso, o que me obriga a abandonar minha torre. Penso então que possa em velhice realizar o sonho de adolescência e destruir ao menos um dos Reis-Sombras. Saio então da minha sala com o velho candelabro embaixo do braço, é hora de voltarmos à realidade.

Conto: Batalha em Montes Verdes – Parte 2 / Aventura: Nas Cavernas da Loucura

Postado em Contos, Notícias em 16/09/2009 por leonardoandrade

O velho mestre já avistava o local que utilizariam para espionar a batalha. A serra em dado ponto formava uma espécie de falésia de cerca de 40 passos de altura sobre o planalto, o que permitia que a dupla de lutadores enxergasse o que ocorria lá embaixo simplesmente deitando sobre a beirada da serra. O riacho, que tinha a nascente serra a dentro estava pouco mais a frente deles, e desaguava sobre um lago. Isso decerto significava que o ponto era excelente para se observar em segredo, pois a neblina causada pela queda d’água e o barulho da pequena cachoeira encobriria com facilidade a presença dos bravos lutadores.

O céu que antes estava limpo e claro, começava a adentrar o final da tarde, ganhando um tom mais escuro. Nuvens estranhamente aglomeravam-se sobre o planalto e um pedaço da serra, criando um círculo de nuvens, o que era estranho mesmo nas terras de Shiang.

Nada passava desapercebido pelo mestre Kwao, que já advinhava que um dos participantes do conflito logo abaixo, com forma esguia, vestes mal cuidadas e um grande chapéu de palha deveria ser um viajante, devotos ao deus Sukon Godin, o gigante de bronze.

O velho lutador estava correto, e esse tirês manuseava uma arma de duas barras de aço ligadas por uma corrente, também conhecida como nunchaku. O tirês fazia com que o objeto dançasse em suas mãos e de vez em quando raios e faíscas relampejavam da arma.

- Mestre, aquele tirês com o Nunchaku parece muito poderoso!

- Provavelmente ele é, pequeno Kin. Ouso dizer que ele deve ser a razão pela qual o vento está desviando desse local.

- Mas ele parece estar junto daquele senhor que parece um Servidor, do jovem com o arco e do guerreiro Lâmina Mortal. Ele deve estar do lado bom.

- Nem sempre o lado bom deixa de causar medo jovem Zao.

Excepcionalmente dessa vez Kwao estava errado. O que seus olhos astutos começaram a perceber foram as cinco figuras vestidas com mantos negros e uma insígnia vermelha que se acercavam do riacho a alguma distância do grupo que estava com o Viajante. Uma das cinco figuras já havia tombado sobre o riacho, atingida provavelmente pelo esguio tirês portando o arco, que acertou no pescoço a desafortunada figura que agora jazia sobre a água. Ao seu lado também jazia um símio, com feridas de espada em todo o corpo.

Os quatro que restavam em pé, continuaram um cântico que podia ser percebido mas não entendido por Kin e Kwao devido ao barulho da cachoeira. As palavras que saíam das bocas das enigmáticas figuras não eram ouvidas há muitos séculos nos domínios de Shiang, e apesar de não terem sido ouvidas pelos dois observadores, foram muito bem entendidas pelo Servidor.

- Eles estão conjurando um encantamento, ou algo parecido. – afirmou, o Servidor.

- Nunca ouvi um encantamento então, pois nunca ouvi essa língua. – retrucou o Viajante.

- O que se fala é um idioma que só a cúpula e o divino imperador saberiam traduzir e compreender. Acho que é a velha língua dos Lantros.

- Vejam, algo está acontecendo! – gritou Toshiro o jovem com o arco, enquanto aprontava mais uma flecha para disparar em direção aos seus inimigos.

Os quatro tireses de manto negro estavam de mãos dadas, sendo que o último deles carregava em sua mão livre um sino, que soava um estranho tilintar.  O estranho objeto além de emitir a pálida luz violeta, começou a brilhar com intensidade e a emitir sons de lamentos, gritos e gemidos, altos o suficiente para serem ouvidos até pela dupla de lutadores sobre a serra.

Toshiro disparou mais uma vez e sua flecha voou certeira, acertando a figura que carregava o sino-portal, infelizmente, tarde demais.

O sombra que estava à frente, provavelmente o líder de todos eles, gritava as seguintes palavras, enquanto seu corpo era consumido em um fogo negro, que drenava toda sua vida e seus pensamentos para a finalização do encantamento:

- Há cem anos que as Terras de Shiang não tem o privilégio de receber nosso ilustre convidado! Preparem-se para morrer e nos encontrar no Plano dos Tormentos, emissários de Shiang!

- Emissários de Shiang? Mestre, sobre o que eles estão falando? Nós somos os emissários de Shiang! – disse o preocupado Kin Zao a seu mestre

Pan Kwao não respondeu. Seus olhos estavam atentos demais a aterradora cena que se desenrolava onde antes se encontravam os quatro sombras.

O sino pairava sozinho no ar envolta em uma luz negra, que rodopiava ao redor de seu centro, formando um pequeno redemoinho. O chão parecia se abrir e dessa fenda focos de luz negra eram sugados para o centro do redemoinho, ganhando forma material e montando uma imensa massa disforme de carne putrefeita, garras, ossos, olhos e rostos agonizantes e raivosos, de tireses que há séculos estavam condenados a passar a eternidade no plano dos tormentos.

O corpo da criatura começava a ganhar forma, com quatro braços, garras nas patas e nas bocas do tamanho das mãos dos tireses, rostos e bocas que urravam de dor e agonia formando o tronco, e uma cabeça com buracos para os olhos na parte do rosto e da nuca que emitiam um brilho negro que era capaz de sugar as emoções daqueles de vontade fraca, a besta gigantesca ergueu-se sobre duas pernas que tinham o tamanho de um tirês adulto.

Sua boca se abriu e dela saiu um rugido que gelou a espinha do mestre Kwao e fez Kin fechar os olhos e esconder o rosto, pois a sua impressão é que a criatura sabia onde estava cada ser vivo e qual o seu pior medo, pois todos seus medos de infância começaram a vir a tona em sua mente.

Após o rugido, a fera continuou a falar em uma língua estranha, mas que falava diretamente na cabeça de cada um dos quatro bravos heróis que já se dispunham a enfrentar e aniquilar o aterrorizante inimigo.

- Vocês terão a honra de servirem de desjejum para mim, o Daichega Kabin, o primeiro Rei Sombra, o devorador de almas! Rendam-se agora, entreguem-se a mim e prometo que seu sofrimento junto dos meus demais escravos não será grande. Caso a sua escolha seja a honra do suicídio pelo sepuko para tentar fugir do seu inevitável destino, buscarei pessoalmente suas almas para aprisioná-las em meu estômago enquanto meus escravos dilacerarão sua alma imortal!

Ao falar isso, todas as bocas e rostos no corpor do Rei Sombra gemiam e gritavam com raiva, rangendo os dentes e lambendo os beiços pela refeição que estava por vir.

- Não há chance de vencer, entreguem-se agora! – finalizou o devorador de almas.

- Nunca nos entregaremos! Vamos devolvê-lo para o plano dos Tormentos, de onde uma coisa como você jamais deveria ter saído. – respondeu valentemente Chieng Lao, o Viajante.

- Amigos, caso algo de ruim aconteça hoje, gostaria de dizer que foi uma grande honra lutar ao lado de guerreiros tão bravos. – disse Mao Siu, o Lâmina Mortal.

Chieng Lao estava orando para que Sukon Godin os ajudasse a derrotar os sombras desde o momento em que Toshiro disparou a primeira flecha que matou o sombra caído sobre as águas do riacho. Apesar de não ter feito seu pedido com o fervor costumeiro por acreditar que o Gigante de Bronze não precisaria ser incomodado para derrotar algumas figuras estranhas vestidas de preto, o deus dos Viajantes já sabendo o que estava por vir começou a formar a tempestade sobre o local da batalha.

- Ele tem um ponto fraco. – Sussurou Mao Siu para aos demais já empunhando sua katana.

- Apesar de conseguir expulsar maus espíritos, meus poderes não funcionam contra ele. – disse Ho Kazaoke, o Servidor.

- Também não vejo como derrotá-lo. – disse Toshiro com o arco retesado e uma flecha pronta para ser disparada rumo ao olho da criatura.

- Um Viajante não pensa no ponto fraco do inimigo. Ele é o ponto fraco do inimigo. – Chieng Lao sorria ao dizer essas palavras como se estivesse sabendo de algo que os demais desconheciam.

- Ele pensa que não pode ser derrotado, esse é seu maior ponto fraco. Fora do plano dos tormentos ele é tão vulnerável quanto qualquer um de nós, mas ainda assim pensa que pode nos derrotar sem esforço. Vamos usar isso contra ele.

Todos acenaram com a cabeça que concordavam com a idéia. Afinal, parecia ser de fato a única maneira plausível de derrotar uma fera inteligente com o tamanho de três tireses adultos. Antes de todos partirem para cima da criatura, o viajante fez um último pedido.

- Quando começar a chover fujam para a serra. É a nossa única chance de vencer, confiem em mim.

Os demais já estavam acostumados com os pedidos misteriosos de Chieng Lao, mas esse realmente era bastante excêntrico. Por acaso o grito do Rei Sombra havia feito com que ele enlouquecesse? E mesmo notando a descrença aparente nos rostos de seus companheiros, ele repetiu:

- Fujam para a serra, é tudo o que eu peço.

A criatura emitiu mais um rugido ensurdecedor antes de sair correndo em disparada na direção dos quatro tireses. Os trinta passos de distância entre ela e eles parecia ter diminuído tamanha a velocidade com que a fera se movia. Ela corria aos saltos e em tempo de três respirações já estava no mesmo local que nossos bravos tireses.

Apesar de menores, os quatro tireses eram bastante ágeis e conseguiram desviar e correr do ataque repentino. Era com certa dificuldade que os quatro tentavam coordenar a investida contra o Rei Sombra. Os quatro circundavam o alvo, tentando atacá-lo de todas as formas e com todas as armas possíveis, mas nada parecia surtir efeito. Por ter olhos na nuca, um ataque nunca pegava a fera de surpresa e os quatro braços se moviam tanto para a frente quanto para trás, permitindo que ela atacasse praticamente todos ao mesmo tempo.

Toshiro buscava uma forma de acertar uma flechada nos olhos da criatura, mas nas duas tentativas que havia realizado, ela conseguiu esquivar-se rapidamente. Pelo seu estilo de luta, Kazaoke não podia ajudar seus companheiros sem se expor ao risco de ser agarrado.

Mao Siu parecia estar no controle da situação, mas estava tenso pela inexperiência. Ficava sempre no flanco, aproveitando as investidas contra Kazaoke e Toshiro para atacar com sua katana. O único problema parecia ser uma espécie de couraça que envolvia o corpo do Sombra, o que impedia que a espada causasse algum ferimento.

Chieng Lao tinha se colocado próximo ao lago. Vez ou outra era possível ver faíscas em  seus olhos mas fora isso, mesmo um observador atento não poderia ver seu corpo se mexer. Estava tão concentrado que sua respiração estava muito fraca, seus olhos não piscavam, e suas mãos estavam estendidas imóveis para o céu. Somente sua boca se movia,  murmurndo alguma coisa.

Trovões ensurdecedores começaram a ribombar sobre o local da batalha. O som era tão alto e forte que a impressão que Kwao e Kin tiveram era que estavam no dentro de um sino de bronze que havia sido badalado. Kin foi quem primeiro percebeu que os guerreiros estavam ficando cansados e que misteriosamente o viajante nem era percebido pela besta.

Ventos fortes sacudiram as árvores e Kwao ficou apreensivo. Kin parecia estar se envolvendo demais com o ânimo da batalha e não conseguiria impedi-lo de descer a serra, caso por impulso ele saltasse e descesse correndo o paredão de pedra. Já havia visto isso acontecer algumas vezes e apesar de confiar no treinamento e na disciplina a que o discípulo havia se submetido, tudo era possível quando se tratava de Kin e brigas em geral.

A situação se tornava crítica a cada momento. Os três estavam exaustos e Lao não se movia. Mao Siu começava a duvidar da capacidade deles em vencer e já procurava uma maneira de fugir pela floresta.

Restavam somente cinco flechas para Toshiro. Cinco chances e depois se tornaria um alvo fácil, sem poder auxiliar seus amigos. Ele estava mais uma vez com o arco pronto para disparar, seus dedos doíam e sangravam pelo esforço contínuo de manter o arco puxado tantas vezes em pouco tempo. Havia escolhido trocar de lugar com Mao Siu, ocupando o flanco ao invés das costas.

A criatura vacilou e tropeçou, deixando um dos  olhos expostos para a flechada certeira do caçador. Ele disparou sem ânimo, sabendo que a fera desviaria. Infelizmente para ela, isso não aconteceu.

A flechada acertou um dos olhos em cheio, fazendo com que do seu brilho negro jorrase na direção de Toshiro um líquido vinho enegrecido, que se transformava em névoa aos poucos assumindo com formas de tireses que pareciam aliviados com o golpe e com a liberdade que lhes havia sido concedida.

Kabin urrava de dor e levou uma das mãos ao olho ferido para retirar a flecha. Os três tiveram a impressão de que ele havia ficado menor após o golpe e começaram a pensar que de fato seria possível vencê-lo.

Animado com a chance de atacar o Rei Sombra que ainda se contorcia, Kazaoke pulou sobre a fera, tentando atacar os dois olhos do rosto, mas dois dos quatro braços o agarraram no ar, segurando ao mesmo tempo seu pescoço sua perna. O Servidor contemplou os olhos negros que falavam diretamente em sua mente todas as formas com que sua alma seria torturada e dilacerada.

Kin tentou preparar-se para saltar e Kwao antevendo o movimento, imobilizou seu discípulo que enfurecido gritava:

- Me solte, me largue seu velho idiota! Não vê que eles precisam de ajuda!?

- Você está com a febre da guerra Kin, não podemos ajudar, nós viemos aqui para ver, ouvir e voltar e nada mais.

Com uma pequena torção no braço do jovem, o mestre terminou a imobilização e com o outro braço livre puxou uma agulha enfiando-a na base da nuca do rebelde aprendiz, que não conseguia mais se mover nem falar. Ele só piscava e olhava com raiva para o velho mentor, que continuava a olhar com calma a cena que transcorria um pouco abaixo, enquanto limpava a água da chuva que haviam molhado seu rosto.

Ela começou de repente com um estrondo. A chuva torrencial inundava a serra, e transformou a pequena queda d’água do riacho e uma caudalosa cachoeira, que começou a inundar o planalto.

Mao Siu e Toshiro souberam que era tarde demais para o Servidor quando ouviram o estalar de seu pescoço quebrando como um graveto e um brilho azul fugir de seus olhos para a boca do devorador de almas, que com essa refeição havia crescido novamente. Os dois lembraram do insano pedido do viajante e aproveitaram enquanto a fera se ocupava em absorver a essência do desafortunado Ho Kazoke para fugir em disparada, subindo a serra.

Lao já se movia agora. Estava feliz como sempre ficava quando chovia e mais feliz ainda porque sabia que dessa vez, o gigante de bronze estava ao seu lado. Percebeu que todo o planalto estava inundado próximo à cachoeira e sorriu ao provocar o Rei Sombra.

- Ei, você tem uma última chance para voltar para baixo da terra ou onde quer que seja o lugar que você deveria estar!

Daichega gargalhou. Alto como se hpa muito não houvisse coisa tão hilária. Com todas as bocas ao mesmo tempo e colocando os quatro braços para o alto e depois para baixo, virando-se para olhar quem seria o inseto capaz de tamanho desatino.

- Muito bravo tirês! E muito burro! Seus amigos fugiram, o que faz você pensar que pode de alguma forma me derrotar?

O Viajante ficou calado e encarou impassível o olhar ameaçador de Daichega, aguardando pacientemente a investida.

- Vou me lembrar de você após de refestelar na sua carne e usar sua pele como capa! – disse o Rei Sombra

Com um salto já estava a poucos passos de Lao, encarando o viajante e dizendo:

- Últimas palavras?

Um grito, uma explosão, uma voz que eterna clamou utilizando a boca do tirês:

- Desde o início dos tempos eu sou, Sukon Godin é meu nome e te digo Daichega que nenhuma tortura que você infligiu aos meus protegidos e adoradores poderá ser comparada ao sofrimento que você está prestes a sofrer!

Uma descarga elétrica desceu dos céus e subiu do chão, formando uma gaiola de raios que envolviam a criatura que gritava, berrava de dor e de raiva, ao passo que as descargas acertavam seu corpo e libertavam mais alguns escravos do jugo do Rei Sombra. Alguns saiam livres pelo espaço enquanto que outros eram puxados automaticamente para baixo, rodopiando e adentrando o plano dos tormentos.

Ao final somente o espírito do Sombra havia restado, ainda isolado pela prisão elétrica que gritava, com os olhos injetados de fúria e insanidade:

- Eu sabia! As profecias estavam certas, você Chieng Lao, você viajante arauto de Sukon Godin será a ruína de Shiang! Nos veremos ainda, eu juro!

A jaula de raios começava a subir em direção às nuvens, que se abriam para um espaço vazio, escuro e eterno que se fechou logo após a entrada Daichega Kabin, sentenciado ao isolamento completo pelo Gigante de Bronze.

Chieng Lao caiu extenuado ao chão, mal respirando, enquanto as nuvens se dissipavam e o brilho da lua começava a iluminar a noite por detrás delas.

Arquétipo de Personagem Símio: Batedor

Postado em Notícias, Regras em 04/09/2009 por leonardoandrade

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Histórico
A floresta habitada pelos símios possui muitos perigos, incluindo insetos gigantes, bestas e criaturas terríveis que sempre colocaram as tribos símias em perigo. Por isso apenas há poucos séculos os símios deixaram de ser nômades e se concentraram nas fortalezas.
Desde os primórdios a agilidade de certos símios era admirada, pois ela era fundamental para averiguar uma região, e se houvesse perigo, sair ileso para avisar os demais. A função de batedor sempre coube a um símio ágil e furtivo, para espreitar na floresta.

Interpretação
Você sempre conseguiu ser o mais rápido de seus amigos; era muito difícil conseguir pegá-lo nas brincadeiras infantis, onde driblando no chão ou nas árvores você era ‘intocável’.
Na adolescência você foi chamado a um treinamento de batedor, passando a andar junto com um mestre que lhe ensinou a identificar os sinais da floresta sem ser percebido. Aprendeu como seus inimigos naturais se comportam (muitas vezes sendo perseguido por alguns), e como sobreviver afastado dos demais.
Hoje você e outros batedores rondam as fortalezas, a procura de intrusos em suas respectivas áreas.

Características Físicas Favoráveis
Reflexos Rápidos (2) {5 PC}.

Características Psíquicas Favoráveis
Cargo (3) {6 PC}, Reputação Boa (3) {5 PC}, Senso de Direção {2 PC}, Treinado por um Mestre {10 PC}.

Características Psíquicas Desfavoráveis
Devoção [floresta] (leve) {-2 PC}.

Habilidades Físicas

Acrobacia (3), Correr (3), Escalar (3), Escape(2), Furtividade (3), Imitar Sons (2), Herbalismo (1), Rastreamento (2), Sobrevivência (2), Levantamento de Peso (1).

Habilidades Psíquicas
Caça [insetos gigantes] (1), Caça [bestas] (1), Camuflagem [floresta] (2), Geografia [área da floresta à qual pertence] (2).

Habilidades Bélicas

Habilidade bélica básica da arma escolhida pelo Batedor, Habilidade da Arma escolhida pelo Batedor (2).

Restrição de Armas
Nenhuma.

Conto: Batalha em Montes Verdes – Parte 1 / Aventura: Nas Cavernas da Loucura

Postado em Contos, Notícias em 27/08/2009 por leonardoandrade

O Sol estava quase se pondo a oeste das Terras de Shiang, colorindo o céu de laranja e violeta, contrastando com as poucas nuvens que resistiram aos ventos fortes do verão. A água cristalina descia o riacho que delimitava o final dos domínios do imperador, desviando das pedras e seixos cobertos de limo, enquanto balançava a vegetação rasteira que crescia nas margens.

Pan Kwao caminhava em direção à fronteira, honrando a missão que lhe  havia sido confiada, apesar de ter pensado por alguns instantes no motivo que levaria o próprio Shiang a solicitar que dois Garras de Tigre, lutadores leais ao imperador realizassem uma ronda rotineira próximo à divisa com a floresta dos Símios.

- Falta muito para finalizarmos nossa tarefa mestre? – perguntou Kin Zao, tirês que aparentava não mais que 25 anos, enquanto colhia do chão um pedaço de mato e o colocava no canto de sua boca.

- Você se lembra do que falamos sobre a tarefa do Garra de Tigre, Kin?

- Sim mestre, eu só estava querendo saber…

- Se você teria tempo para retornar para a cidade e passar pela Casa de Chá dos Godos para terminar sua noite se fartando com as belas tiresas e jarros e mais jarros de saquê!

O mestre deixava transparecer um visível descontentamento com o aprendiz, que não passou despercebido pelo rapaz. Kwao, que aparentava ter passado por várias batalhas em seus 52 anos, já havia algum tempo, estava tentando endireitar o incorrigível Kin Lao, que era notoriamente um ótimo lutador e beberrão.

O jovem, que vinha dedicando-se a esses dois talentos, desde que seu pai faleceu em circunstâncias misteriosas, enquanto montava guarda próximo da fortaleza do imperador, já estava começando a cansar-se da vida boêmia e resoluto, entregou-se ao treinamento do mestre Kwao.

- Peço desculpas mestre, meu comportamento não foi adequado.

- Agora, qual é a tarefa do Garra de Tigre?

- Servir a Shiang, sem se importar com sua própria vida, ser os braços do Imperador onde ele não possa estar, ser seus olhos durante a noite escura. Sua espada é tão forte quanto sua vontade, sua robustez tão rígida quanto sua honra, seu coração não teme mal ou sombra e espalha a justiça.

- Você decorou as palavras bem Zao, mas será que seu coração compreende a extensão do propósito de ser parte da elite da guarda do Imperador?

- Meu coração está aberto para compreender mestre, e creio que o dia virá em que Shiang me concederá a graça de compreender essas palavras.

- Muito bem, muito bem. Você prestou atenção em algo de estranho no lugar onde estamos?

- Na verdade não mestre, tudo está calmo e pacífico por aqui.

- Exato, pacífico demais. Ao entardecer, nenhum lugar próximo a selva da divisa é pacífico.

Observando mais calmamente o céu, era possível perceber grandes lufadas de vento levando poeira colina acima, acompanhando o riacho e misteriosamente desviando em direção à floresta, como se em pleno ar houvesse uma barreira invisível, que estivesse fazendo com que o vento virasse à direita ao invés de seguir seu caminho natural.

Ambos perceberam o estranho fenômeno, mas foi o mestre que calmamente dirigiu-se ao riacho, acercando-se da água e agaixando para sorver um gole dela. O primeiro gole foi farto, dado para saciar a sede de uma tarde toda de caminhada debaixo do Sol escaldante do verão. O segundo gole foi dado com uso de um movimento semelhante a um ritual no qual seria possível conversar com a água e obter alguma informação dela.

Kwao demorou-se com água na boca, realizando uma longa e minuciosa análise sobre o que aquele punhado de líquido tinha a dizer. Não há nas Terras de Shiang olfato e paladar mais apurado que o de um guarda imperial, uma vez que sua sobrevivência depende de reconhecer o cheiro do perigo ou o gosto do veneno, é fácil para a língua bem treinada descobrir muitas coisas.

O pupilo aproximou-se do mestre exclamando:

- Ótima idéia, estou morrendo de sede!

Enquanto Zao bebeu dois grandes goles, Kwao finalizou seu veredito cuspindo o líquido fora:

- Sangue na água, provavelmente de alguém a uma centena de passos riacho acima.

- Sangue mestre?! – exclamou Zao enquanto cuspia freneticamente, limpando boca e língua nos braços. Isso tem algo a ver com a barreira que está fazendo o vento desviar?

- Não é uma barreira, Kin. O vento está com medo de passar próximo a algo ou alguém que está no topo dessa colina.

A tarde avançava e mestre Kwao começou a pensar no risco que haveria de ser surpreendido por alguma força poderosa o bastante para dobrar o vento. Só de imaginar que algo tão forte pudesse estar tão perto dele e de seu discípulo fazia com que seus instintos de sobrevivência começassem a ficar mais e mais aguçados, aumentando sua percepção do mundo ao seu redor.

Sua mente pouco a pouco se preparava para a batalha, já enretesando seus músculos e deixando-o mesmo que inconscientemente em posição de combate. Sua mente trabalhava em um estratagema para verificar o que estava acontecendo sem que houvesse qualquer possibilidade de ser descoberto. Nesse ponto, a análise do terreno era crucial, pois era a única vantagem que os dois poderiam obter sobre a misteriosa força.

O ponto onde eles se encontravam era a base da colina, que se erguia à esquerda por cerca de 300 passos e terminava em um planalto, que continuava por mais 500 passos até o começo da serra dos símios, de onde talvez fosse possível observar o que acontecia em segredo. À frente existia o riacho que fazia fronteira com a mata e entrar mata adentro seria um problema, uma vez que este território não era muito conhecido por Kwao.

- Zao, nós vamos dar a volta na colina, e subir a serra dos símios, de onde poderemos ver o que se passa lá em cima.

-Mestre, nós somos guardiões do imperador, por que não subir a colina? Nós dois juntos seríamos imbatíveis!

- Nossa missão é verificar o que está acontecendo na fronteira, retornar para o castelo e relatar o que vimos. Não haverá qualquer confronto hoje, entendido?!

- Sim mestre Kwao.

- Agora vamos, temos pouco tempo antes que escureça, e precisamos da luz para enxergar o que está havendo.

Ambos seguiram correndo, circundando a colina onde a  suposta batalha estaria ocorrendo e em pouco tempo chegaram à base da serra. Seria uma subida difícil até uma posição que possibilitasse a visão perfeita do planalto, pois o caminho era formado de pedras pontiagudas mas as pernas treinadas de ambos tireses galgavam sem dificuldade as pedras que formavam o caminho até o ponto de observação.

Kin pensava consigo que era um desperdício estar tão próximo a um local de batalha e não participar do combate. Em todos os ensinamentos de seu mestre, o jovem discípulo tentava encontrar uma motivação para  “disciplinar com a justiça” conforme as palavras do próprio Kwao todos aqueles que desobedeciam as leis ou de alguma forma os desejos do imperador.

Era perceptível sua ansiedade, bem como sua frustração. Ambos os sentimentos, apesar de antagônicos eram plenamente justificáveis. Nunca havia visto seu mestre preocupado como vira hoje, a turbulência emocional do velho lutador era tão intensa que suas passadas e respiração já ganhavam um ritmo mecânico, subindo a serra como uma locomotiva que não pode ser parada. Toda a preocupação de Kwao deixava Kin extremamente apreensivo porque era quase certo que o conflito ocorrendo no planalto abaixo deles tinha proporções nunca antes presenciadas pelo jovem tirês.

Por outro lado, Kin estava muitíssimo frustrado devido à impossibilidade de adentrar no combate. Havia nele a certeza e o controle obtido pela disciplina do treinamento que o compeliam a seguir as ordens do imperador mas por outro lado, seu instinto era extremamente impulsivo, característica essa que para um estudioso dos hábitos e comportamentos dos tireses ficaria claro e evidente mediante a simples observação das listras vermelhas na pelagem do bravo lutador.

Prévia dos Arquétipos de Personagens – Parte 3

Postado em Arte, Notícias em 06/08/2009 por leonardoandrade

Altair Messias finalizou os esboços dos últimos 3 heróis tireses: Lutador Abraço de Krondai, Guardião Guerreiro e Viajante; estes personagens em breve estarão no capítulo 5 do RPG Terras de Shiang. Continue o bom trabalho Altair!

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A Morada Íngrime

Postado em Elementos de Cenário, Notícias em 02/08/2009 por leonardoandrade
O castelo do imperador Shiang

O castelo do imperador Shiang

O imperador Shiang construiu seu castelo sobre um pequeno morro há cerca de dois séculos atrás. Desde então, a construção que fica do lado leste do Rio da Vida tem sido a sua morada. Os empregados do Imperador são treinados na arte marcial Garras de Tigre, e o acesso a esse castelo é totalmente controlado. Além dos empregados, alguns dos Díscipulos Divinos (uma equipe formada por heróis escolhidos por Shiang) também habita o local. O castelo possui quatro andares, e uma vasta área construída.

Muitos tireses, que assumem o imperador como seu deus, vão até a base do castelo orar ao Imperador.